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Ostomizados, um dia de conscientização

O Dia Nacional dos Ostomizados, em 16 de novembro, foi criado como forma de tentar acabar com o preconceito por meio da informação. Pessoa ostomizada é aquela que precisou passar por uma intervenção cirúrgica para fazer no corpo uma abertura ou caminho alternativo de comunicação com o meio exterior, para a saída de fezes (colostomia ou ileostomia) ou urina(urostomia), assim como auxiliar na respiração ou na alimentação.

Por que uma pessoa é ostomizada? Ostomia, estomia ou estoma são os termos que se dão à exteriorização de alguma das vias excretoras, quer seja intestinal ou urinária, por meio de uma abertura na pele do abdome, para saída de conteúdo intestinal ou urina. Quando a parte exteriorizada é o intestino grosso, chama-se colostomia. Quando é o intestino delgado, chama-se ileostomia. As ostomias podem ser também para saída de urina, sendo chamadas urostomias.

As fezes e/ou urina que saem pela ostomia, ficam armazenados em uma bolsa plástica aderida à pele por meio de uma placa adesiva, e esta é indicada sempre que há necessidade de desvio do conteúdo intestinal ou fecal. Essa situação pode ser provisória ou definitiva. Nos casos de tumores do reto com comprometimento da musculatura do ânus, quando há necessidade de remover o tumor junto com o ânus, uma colostomia definitiva é realizada.

Além disso, existem doenças congênitas em que o recém-nascido não tem inervação na parte final do intestino grosso e um quadro de obstrução intestinal funcional se instala logo nos primeiros dias de vida. Uma colostomia pode ser necessária para desobstrução até que a cirurgia para tratamento definitivo seja realizada.

Como é a rotina de um ostomizado?

Alguns cuidados devem ser tomados, de acordo com enfermeiros estomaterapeutas. A limpeza da pele ao redor do ostoma, após a retirada da bolsa para troca, deve ser feita com água morna, sabonete neutro e pano macio. Depois de secar a pele, é indicado o uso de protetores cutâneos. O esvaziamento da bolsa deve ser feito quando ela atingir cerca de 2/3 da sua capacidade de coleta para evitar descolamento precoce. Em média, as bolsas devem ser trocadas a cada três dias.

O estomaterapeuta é o profissional responsável por avaliar o estoma, dar orientações de autocuidado e do dispositivo de bolsa para melhor adaptação em cada caso, avaliar e tratar as complicações relacionadas aos estomas e as lesões que podem ocorrer pelo contato das fezes ou urina na pele por alergias ao adesivo das bolsas, entre outras questões.    

Atualmente, existem no mercado alguns produtos que trazem mais segurança e qualidade de vida aos ostomizados, como o gelificador. Trata-se de uma cápsula que, quando colocada na bolsa coletora, faz com que as fezes mais líquidas se transformem em gel, facilitando a higienização e evitando vazamentos. Outra vantagem da cápsula é que ela tem uma essência de lavanda que elimina qualquer mau cheiro.

Atenção ao que diz a lei

Com uma estimativa em torno de 400 mil ostomizados no Brasil, sabe-se que as pessoas ostomizadas têm plena capacidade de retorno a vida profissional e social, e não devem ser vistas como pessoas doentes, mas, sim como indivíduos com necessidades especiais. Os ostomizados, usufruem dos mesmos direitos de pessoas com deficiência. O que caracteriza essa deficiência é a falta de controle esfincteriano intestinal ou urinário. Entre alguns direitos estão a isenção de alguns impostos na compra de veículos, passe livre em transporte público, vaga de emprego exclusivo para deficiente físico, resgate de previdência privada, isenção do imposto de renda, entre outros.

Além disso, a legislação brasileira garante que estados e municípios ofereçam atenção aos ostomizados por meio de atendimento com enfermeiro especializado (estomaterapeuta), bem como a distribuição gratuita de bolsas, sondas, coletores e adjuvantes de proteção e segurança conforme estabelecido pela Anvisa (Agência Nacional de Saúde) na resolução normativa nº 325, de 18 de abril de 2013.

FONTE – https://www.ostomizados.com/index.html

A Perspectiva da Terapia Ocupacional: Quebrando Tabus.

As bolsas de colostomia tradicionais estão sendo reinventadas à medida que designers como Stephanie Monty, formada pela Brunel University, criam alternativas mais atraentes, tornando o assunto menos tabu

Como você pode ajudar seus pacientes a viver de forma independente e confiante com bolsas para estoma e cateter? Incentivar e orientar tecnicamente a se vestirem de uma forma que lhes permita viver de forma independente e ter um senso de identidade, é essencial do ponto de vista da Terapia Ocupacional.

Neste texto aborda-se um ângulo ligeiramente diferente voltado para roupas que podem ajudar pessoas com condições desafiadoras, particularmente relacionadas a problemas intestinais. O objetivo aqui é ajudar os fabricantes a fornecer os produtos e serviços certos para o mercado, e indicar a eles vários recursos que podem ajudar nesse objetivo.

Bolsas para ostomia e cateter – não são mais tabus?

Claramente, as funções corporais são tópicos bastante sensíveis e podem causar constrangimento e, como consequência, por muitos anos, ostomia e bolsas para cateter foram tópicos tabu.

Felizmente, isso está mudando, o que significa que podemos conversar sobre isso!

Aqui estão algumas coisas a considerar:

Vamos começar com o óbvio: a maioria das pessoas não quer que sua ostomia e bolsa de cateter sejam evidentemente notados. No entanto, as bolsas de ostomia precisam ser facilmente acessíveis e capazes de se expandir à medida que preenchem.

Qualquer roupa que venha com uma bolsa de ostomia, deve levar em consideração a protuberância à medida que a sacola enche, bem como garantir que o tubo de drenagem não fique contraído quando o paciente estiver sentado ou se movendo

As ostomias precisam ser cuidadas várias vezes ao dia, o que significa que a roupa que o paciente usa deve ser adequada para isso, indicando-se o no caso o uso de roupas largas e fáceis de remover, ou uma gama específica de roupas para usuários de ostomias

Bolsas de ostomia de grife?

As bolsas de colostomia tradicionais não são atraentes e o impacto que podem ter na autoestima e autoconsciência do cliente é considerável.

Felizmente, há empreendedores no mercado trabalhando para resolver esse problema – veja Stephanie Monty, por exemplo.

A empresa de Stephanie, Ostique, está trabalhando para produzir bolsas de ostomia “de grife”, que transformam a bolsa de algo clínico em algo muito mais sutil e esteticamente agradável. Ela foi inspirada a fazer algo por seu pai e irmãos, pois todos eles sofrem de doença de Crohn.

Aqui está o que Stephanie tinha a dizer sobre seu projeto: “Eu me inspirei em belas roupas íntimas e arte de tatuagem. O objetivo era chegar a um produto que não fosse constrangedor. Pode ser usado por até seis horas para nadar, na praia, na academia ou durante a intimidade. Deve ser à prova de suor, à prova d’água, à prova de vazamentos e até mesmo à prova de protetor solar.”

Se você quiser mais informações sobre o projeto de Stephanie, visite www.ostique.co.uk e www.bowelcancerresearch.org

Richard Branson, Adidas, frustrações e oportunidades:

Outra história, diz respeito a Iolo Edwards, filho da nossa diretora comercial Karen.

Iolo foi diagnosticado com Retocolite Ulcerativa Aguda Grave e teve que remover seu intestino para salvar sua vida em abril passado.

Consequentemente, ele agora tem que usar uma bolsa para estoma, inicialmente usando as tradicionais bolsas bege, que ele passou a odiar.

Aproveitando seu espírito criativo, Iolo comprou algumas bolsas pretas e brancas, decorando-as com suas marcas favoritas, como Ralph Lauren e Adidas. Assim como Stephanie, ele transformou algo que pode ser incomodo ao seu bem-estar, em algo parecido com um acessório de moda.

Esta não foi a única ideia de produto criativo de Iolo, e ele teve a sorte de discutir suas ideias com Richard Branson e Kate Winslet quando por acaso os conheceu em uma praia no verão passado. https://www.virgin.com/richard-branson/how-teenager-turning-frustrations-opportunities

O contato de Iolo com Branson o colocou no radar de Nicola Dames – a dona da roupa Vanilla Blush. A Vanilla Blush fabrica roupas específicas para pessoas com bolsas para ostomias, e Nicola teve a gentileza de mandar para Iolo algumas calças e sungas com bolsos internos para a bolsa, além de coletes ajustados a suas necessidades. Então, se você quiser saber mais, visite vblush.com

Todas essas histórias mostram que mentes brilhantes e criativas estão trabalhando para resolver o problema das bolsas para ostomia e, como fabricante ou varejista do setor, seu desafio é canalizar esse espírito empreendedor para atender ao seu mercado.

O terapeuta ocupacional Stuart Barrow, da Promoting Independence, é membro da Associação Britânica de Terapeutas Ocupacionais, e um profissional reconhecido na área de adaptações e tecnologia assistiva. A sua experiência é muito procurada por fabricantes e prestadores de serviços que procuram a opinião de especialistas no Reino Unido.  

Se você quiser falar comigo sobre a melhor maneira de fazer isso, sinta-se à vontade para entrar em contato diretamente em stuart@promoting-independence.co.uk.

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